(Não) Sou

Não sou mais eu,
mas a imagem. De mim.
O eu, reflexo partido. O outro.
Quem sou, foro psicológico,
físico demonstra zero negativo.

No riso gozo
olhar afiado e lançado ao pormenor.

Não sou mais eu,
mas quem me pinta. E vê
o que a mente mastiga, e sacia
por observar.

Corpo, carne. Oco
sem para além. Apenas aqui.
Não em mim.
Não sou mais eu,
mas as histórias criadas,
boatos fantasma.

Perfeito inventado como flecha
para quem nunca chegará.
Metade. Valho menos.
Água e sangue. Ou apenas tinta.

Sou mais eu,
quem não conheces.

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