Reverie



Que quebra, que ruga. Que andar de coxo. Acidente? Não recordo. Lembrar-me-ei?
Acordada dormindo. Pesadelo. Fuga veloz, sem olhar para trás. Não posso perder. Perderei? Ou ao ganhar nada conquisto? Talvez a derrota.
Não acordo. Talvez navego o real. Nada sinto, dormência. Não me sinto. Não o sou, para ninguém. Fui. E que bom era. Ah, reverie. Me faz sorrir outrora. Reverie.
Acordo. Resigno-me.

Anestesia

Dormente começa
O estado de tamanha apatia
Que alienada com o tudo
Sorri bufando alegria
Sorri cuspindo azia.

Apagão de Norte a Sul mental
Histeria da tensão muscular
Ocular, sentimental.
Dormente começa
O estado de brutal anestesia.

De dez para um conta
E finge morrer para o real
Apagando memórias
Movimentos e fala.
Surge o desejado efeito:
Cala.

À beira do limite remoto


Silêncio são mil falas perdidas
Descobertas no profundo da berma.
São olhares não vistos à procura de secar.
Mágoa.
Pensamentos a descongelar
À luz da razão emocional.

É a imaginação vergonhosa
Rotineira ou desigual.
É o verdadeiro eu,
Desumano, afinal.

Mas se o silêncio gritasse
Oh, se contigo criasse diálogo
Não seria mais pronfundo, seco, escondido, perdido: real.