Artista do Nada

Sem saber, sem querer, nem voar ou até pintar, socorre deslumbrando o público vibrante.
Sem cantar, ou dançar, nem escrever ou dizer, exala espantando a audiência ao rubro.
Nada sabe de si, duvida, Nada de si, desencanto. Não se crê. Não se vê. E todos nele reconhecem.
Artista nato, sangue azul. Beleza exótica, inteligência rara, mas nada. Nao se crê. Não se vê. E todos nele admiram.
Alguém reza por milagre patente, e suplica por reconhecimento de si mesmo.
Artista da vida, coroa de ouro. Charme envolvente no cheiro a tesouro. Mas vazio, vácuo. Nele. Só nele. Pois todos o crêem, o vêem.
Artista do nada, do nada que é teu, de mais ninguém. Em ti se vê tudo, o nada que fuja. O nada que repele. Pois nada é, nada. Só ele o vê.
Agora ou mais tarde, neste momento ou até logo. O nada será tudo, ou apenas alguma coisa. Mas artista será, sempre.