Fórmula

Tudo resto é nulidade
Do espírito cruel que finda
A vida em dor e mágoa
Ou felicidade irradiada em si

O que sobra é paz
Que se esgueira por entre os dedos
E corre, foge, abala
Assustando as hipóteses de vida

O que basta é mutação
Ou escassamente uma prova
Um olhar de novo do passado
Espelhando o futuro

E me calo, refúgio no silêncio
Mas nada existe, não me lutam
Só, me fecho. Sola não existo.
Apenas o sopro me acordará

O prelúdio da exasperação



O esconderijo e refúgio revivem o dia que se experimenta vida. O sorriso de outrora contrasta o plangor que resgata o âmago perdido. A emboscada leva à loucura e recai em cada olhar para o fóssil.
A felicidade morre solteira. Não a culpa, a culpa permanece em quem errou. Parte do agir inútil e que derruba a harmonia de uma corrida sem meta.
Sem resposta se queda, se rompe, se estilha cada pedaço do ínfimo dos espíritos que se unem. Pois uma razão não basta, um motivo oculto. Dito apenas. A fala em si não acarreta a vida, é acompanhada de passos tao rápidos que a própria corrida fica em segundo lugar.
E se o tempo não pára, se a existência depende do sentirmo-nos amados, visualiza-se o futuro da solidão ou da não-vida. Sente-se o prelúdio do delírio exaspero.