Frio.

Quero sentir de novo aquela nostalgia. Inspirar e expirar aquele oxigénio único e intransmissível.
Quero olhar com outros olhos aquilo que já me é passado após breves segundos, quero que seja de novo presente, ou futuro talvez.
Quero surpresa, a surpresa que tanto espero.
Quero agarrar o gosto que tinha, ter vontade. Quero o frio que acalma, o vento que me escuta e me leva aquilo em que não quer

o mais pensar.

Esperar. Devagar, esperar. Sorrir sabendo que o passo de espera é equivalente à rapidez da resposta.
Calar. Calar este silêncio falatório que me inunda a alma de medo, receio valente.
Fazer. Largar armas de defesa e caminhar indefesa. Como voo migratório... fuga necessária.
E por fim me agasalhar. Tapar-me dos outros, mas principalmente de mim. O gorro serve, por agora.

Assim.

Acreditava na fé, na vida. No vento. Firmava os passos, o caminho. Na estrada.
E sem querer, talvez, ou até, quem sabe, morria.
E pensava existir, viver, não assim, não presa, oculta, sorrindo fechada em mim, controlo exterior.
Assim, desencontros com a pessoa que mais temo e anseio, sim, comigo, aquela, quem foge e volta, quem grita e sobrevive, mas sem querer, morre.
Porque a questão sobrepõe o próprio questionário interno, a resposta permanece limitada nos escombros de quem assiste e aplaude.
É assim.
Assim apenas.
Assim.