Hoje parei. Sériamente parei no espaço, não no tempo.
Ao olhar a meu redor noto que o que aqui paira é nada mais que um enorme e cheio vazio. E eu integro-me nele.
Tentei estabelecer contacto, mas por um motivo que eu não sei qual é, ele negou-mo.
Além de vazio, tornou-se mudo.
Então tentei sorrir para que ele me podesse sorrir também - mas não o fez, não olhou para sorrir.
Além de vazio, mudo, tornou-se cego.
Porém a raiva tomou posse de mim e gritei, berrei e disse tudo o que sentia e talvez o que não sentia também. Ele não ouviu.
Vazio, mudo, cego, surdo.

Desisti. Debrucei-me sobre mim mesma e num gesto repetitivo balancei para a frente e para trás. Somente as lágrimas habitavam a meu redor, pois eu me tinha tornado vazia. Chamaram por mim, eu nao respondia; Passavam à minha frente mas eu não via; gritaram à minha procura e eu não ouvi.

Afinal não era o vazio que habitava em meu redor.
Eu é que era o vazio, eu era muda, cega, surda.
Pois nada mais habitava em mim naquele momento.

1 comentário:

Ana Raquel Maia disse...

Se esse texto fosse um puro texto de contos ou de historias que nunca existiram era perfeito. Não é perfeito pq é triste mas é o teu melhor texto de sempre. Muitos parabens. :)