Silêncio escondido,
Tão sombrio que assusta meu ser.
Silêncio temido,
Que vagueia no vazio até doer.
Me assombras, desconhecido
Objecto que pesquiza a solidão.
Te interrompes com meras promessas
De amores vazios a que dizes não.
Pobre viajante que te evaporas,
Suplicando num instante
Porém, porque te demoras?
Silêncio escondido,
Meu fiel e tenebroso amigo,
Me trazes do passado
O futuro prometido
De uma vida a seu lado.
Sentada olhava,
Sentia.
O vento acompanhava-la,
Corria.
Nada mais sublime penetrava
Em tão refundido coração forte,
Repetido, rasgado sem emoção
Espelhada da própria morte.
Só o vento a percebia,
Acalmava.
Só ela o conhecia,
E calava.
Íngreme era a dor que aplaudia
E pensativo era o meticuloso adjectivo
Que mudava só para ela rir
De sarcasmo que tanto pedia.
Bloqueada e habituada,
Suspirava.
E o vento como ela,
Amava.
Sentia.
O vento acompanhava-la,
Corria.
Nada mais sublime penetrava
Em tão refundido coração forte,
Repetido, rasgado sem emoção
Espelhada da própria morte.
Só o vento a percebia,
Acalmava.
Só ela o conhecia,
E calava.
Íngreme era a dor que aplaudia
E pensativo era o meticuloso adjectivo
Que mudava só para ela rir
De sarcasmo que tanto pedia.
Bloqueada e habituada,
Suspirava.
E o vento como ela,
Amava.
Navegador do Nada
Que embarque de dor navega,
Desesperando resgate eterno?
Procura o firmamento que cega
A possibilidade de o tornar sereno.
Contra rochas se vai quebrando,
Fugindo ao mais cruel furacão
Que se avizinha da temivel escuridão.
E rema, sozinho rema forçado
Chegando ao destino tão amado.
Conta os dias, porém a maré atrasa
Passam as noites mas o vento não passa
E se chora por solidão, suspira
Uma esperança de nova vida.
Que embarque de dor navega,
Desesperando resgate eterno?
Procura o firmamento que cega
A possibilidade de o tornar sereno.
Contra rochas se vai quebrando,
Fugindo ao mais cruel furacão
Que se avizinha da temivel escuridão.
E rema, sozinho rema forçado
Chegando ao destino tão amado.
Conta os dias, porém a maré atrasa
Passam as noites mas o vento não passa
E se chora por solidão, suspira
Uma esperança de nova vida.
Era como se houvesse um caminho inevitável a seguir. Nada mais seria capaz de existir nem o andar pelos passos certos. Uma força indestrutível guia aquilo que era impossível de avançar. É uma espécie de pesadelo fantástico, um imaginário tão real quanto a vida.
Uma balança que equilibra algo cujo peso é incalculável. É estranhamente tão límpido como o brilhar do sol num dia tão nublado em que a claridade é algo escasso. Vê-se tão perfeita paisagem, bem longe, sente-se a brisa que arrepia tão fina camada de pele que cobre o frágil corpo destapado. Não é a vergonha que cobre as faces de rosa, não é o calor, não é o vento gelado que se sente. É o choque, o choque sentimental, repentino e cruel de uma forma tão doce que o próprio corpo estranha.
Uma revolução na mente, uma lavagem tão profunda que o tempo por si não é proporcional. Uma prolepse que só o singular entende. É uma história cansada de tantas vezes ser lida, mas é renovada e ninguém percebe, é diferente e ninguém nota.
Porque é que o choro tem de ser sempre de tristeza ou de alegria? Há aquele sentimento que por ser tão explicado deixa de ter explicação, esse sobrevoa todos os outros e passa a algo tão significativo que o próprio dicionário se torna mentira. A mentira a que todos estamos habituados, a mentira que é a vida.
Nada parece ter sentido, o que sentimos torna-se numa confusão tal que só assim a existência pode continuar. É o meu pensamento. É o meu sentimento. Resta o sorriso que todos esperam, que todos já se habituaram.
Por uma vez só, deixem que habite tudo aquilo que ainda há para contar.
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