Suave, subtil pena,
Metáfora da vida, lenta
música: sinfonia do sentimento
que se torna peça solta
num encaixe de momento.

Leva preciosamente pela sua mão
o inverno que a derrete e congela,
mas em pé de Cinderela
foge da ameaçadora razão.

Suave como subtil pena,
enforca o sorriso num dia perdido,
percorre a circulaçao que rapidament
mata o desejo que lhe fora proibido.

Volta agora a respiraçao,
batimento do seu proprio ser,
ressuscita a (falsa) razão
de querer, mais uma vez,
viver.

Miriam Andrade
Que incógnita mensagem me transmites?
Que sentimento do passado me devolves?
Que voz tenho de ouvir para entender?
Que é este mar bruto e vazio onde me envolves?
Que rompimento de alma a caminho de meu ser?

Se é o vento que queres que guarde,
Como o irei fazer?
E se é a chuva que queres que pare,
Que sinal a fará temer?

Socorre-me neste invulto pesadelo,
liberta-me deste cadeado enferrujado.
E por caridade de amizade (talvez)
Devolve aquilo que me era desejado.

Miriam Andrade