Mastigo o tempo que custa a engolir e devagar me vai engasgando.
Sufoca-me por rápido ter sido comido mas não me importo, continuo a comê-lo o mais apressadamente que consigo.
De que me adianta?
De que me chega?
Alimento-me do vazio?
Não sei porém, se é fome, sede, angústia ou morte. Não sei se respiro o mesmo ar que tu, sinto que não.
E mesmo por vezes o sentir se torna difrente e dificil.
Solução para tudo ser como deveria ter sido moldado e dignificado. Deveria ter sido um projecto digno de um artista pobre e humilde e saiu um pseudo-desenho, feio e riscado com cores bonitas que foi estragado pela tempestade.
Volta lápis e fá-lo brilhante.
Corre tempo, corre, chega até mim futuro!
Gritem comigo e demonstrem a força que transpiro de dentro de mim.
Rara inteligencia que me foge quando mais necessito de luz que ilumine a minha vida.
Vens? Claro que não, nunca vieste!
Ah, sede insaciavel que te misturas como só tu sabes! Larga este corpo que tenta vencer a alma. Lutas interminaveis que pedem por um simples toque de prazer contra um gesto de paixão.
Vida breve longa te tornas. Dá-me o que meu ser necessita.
Dá-me.