Seguro nas mãos algo sem vida,
Frio, gela meu corpo por inteiro,
(Não o quero largar, já fez parte de mim)
Sinto de leve a brisa de seu cheiro
Aroma a dor, sofrimento, mágoa
Um pequeno trave a amor
Com medo por inteiro

E continuo a segurá-lo
Metade de mim ainda luta por ele
Encosto-o junto ao meu peito,
Acariciando-o, penso em quem mo tirou,
Em quem o feriu.

E uma lágrima minha o molha,
O faz arrepiar,
E me faz notar,
Que preenchia algo vazio, no meu lado esquerdo,
um buraco à espera
de preenchimento.

Percebi,
Aquele algo frio, sem vida,
era o que me faltava no peito,
à muito retirado e perdido,
aquilo que apanhara do chão,
meu probre,
pobre coração

Miriam Andrade

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