Já guardei o que tinha escondido
Já escondi o que tinha guardado
Já raspei até ferir
Cada gota do sólido olhado
Esbofeteei até sorrir
Para que nada seja notado

Já atirei o que tinha abraçado
Já abraçei o que tinha atirado
E gritei, falando calmamente
E gemi, com a dor serena
Sem nada se notar, ri
E mais uma vez,
Camuflada por mim,
Fingi.

Já explodi o que continha
Já contive o que tinha explodido
E habituei-me ao real,
Vivo o sobre-natural,
Caminhando sobre pedras imaginárias
Respirando esperanças temporárias
Acordando de um grande sono
Injectado por pesadelos
E deixado por ti.

Miriam Andrade

Sem comentários: