Máta-me, devagar...

Máta-me , devagar
Lento, lentamente
Sacrifica-me, envolve
algo mais afiado
doloroso, fere-me.

Retira-me sem dó
Veloz e astuto assassino
Sem esperar, vem só
E deixa-me em mim marca
profunda, vistosa
Mas escondida.

Máta-me, rápido
Muito apressadamente.
Ata meus pés
Minhas mãos prende
E deixa-me assim
Somente à espera, sofrendo.

Até morrer,
Me bate, me esfola
Me deixa cair
Mas sabendo sorrir,
morro e desapareço.

O coração esmaga
Doendo vai apertando
Para o luto iniciar
E a morte do meu ser
(Fisicamente permanece)
Por fim falecer

Miriam Andrade

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