Preciso...

Preciso de outrém,
De mar, de vento
Preciso de ninguém,
Preciso de alento.

Viver, amar,
Morrer e ser amada,
Preciso de tudo,
Preciso de nada.

Ser feliz para sorrir,
Viver por ter motivo,
Ser eu sem fingir
Achar um abrigo e partir

Miriam Andrade

Egoísmo MEU !

Não vou escrever nenhum texto bonitinho, cheio de figuras de estilo, cheio de metáforas.
Não, não vou.
Não vou falar sobre ti, ou sobre os outros.

Vou ser egoísta e falar de mim.

Não sei o que se passa comigo, aliás, se calhar até sei.
Cheguei ao limite. Ao meu limite. Á exaustão.
Estou cansada, farta, doente, magoada.
Mas não, não quero passar por nenhuma coitadinha cheia de problemas, não, não e não!
A minha cabeça está prestes a explodir, é certo, que não aguenta o que aguentava antes, porque estou doente desde Dezembro, mas, ela está mesmo muito frágil.
Encaro com tudo, todos.
Penso em tudo, em todos.
Quero pensar em mim e agir para mim, mas não consigo, tudo o resto é mais importante para mim.

A escola, estou farta, cansada dos locais, das pessoas, cansam-me! Os testes , os trabalhos, a minha turma que nao me ajuda nada, raros sao aqueles que estão lá pelo mesmo motivo que eu, raros têm UM OBJECTIVO. Faço tudo sozinha, tudo, e lenta lentamente, vou enchendo aos poucos e poucos...

Os meus amigos, que tantos, TANTOS se revelaram falsos, que não eram a definição de amigo, não eram, não são. Fico reduzida a pouco, é frustrante, angustiante.

A minha "suposta" doença, que ninguém sabe que raio é, que piorei e posso vir a piorar mais. Que me faz perder a cabeça, nao funcionar como dantes, que me faz stressar com tudo TUDO.

A familia que para mim não está completa , que me falta O MEU PILAR, e não está cá ( sempre ).

O amor, que só agora aprendi. "À terceira é de vez" , Dizem bem, aprendi de vez. CHEGA, isto inunda-me a cabeça e nao quer sair do coração. Foda-se, só me apetece pegar nesta particula que insiste não sair e atirá-la fora, isto que me faz sentir sozinha e única no mundo mesmo estando rodeada de gente. Faz-me querer coisas que agora são impossiveis, que me escava o coração com força, com raiva, que o magoa sem dó! Que não me retribui aquilo que sempre senti e que é tão forte.

Não me sinto bem onde estou, não sinto... Sinto-me deslocada.

De quem eu preciso do máximo de apoio, não tenho, parece que quase me despreza, quando é um factor tão mas tão crucial para eu estar bem...


A tal Miriam que todos vocês (talvez) conhecem, por dentro está vazia, morta.

Desabafar...

É incrivel como as pessoas por vezes podem ser assim. Dizem tudo , TUDO , sem por vezes terem a noção daquilo que disseram, daquilo que dizem. A mim faz-me muita impressão, pior ainda, quando chega a magoar. É certo que nao dão conta, é certo que (talvez) não façam por mal. Mas fazem na mesma.

"Eternamente" "Sempre" "Nunca" ... Digo-vos, nao vale a pena referirem porque no dia a seguir estás a dizer e a pensar o contrário. Lembra-te de que ao fazeres isso podes magoar alguém e isso sim é o pior de tudo. CHEGA de palavras hipócritas que dizes hoje a amanha já nao sentes!

"Amo-te" E daqui a uns meses? Amas outra pessoa. " Nunca nos vamos separar amiga, nunca " E no mês a seguir cagas nesta amiga e dizes isso a outra, "És a pessoa da minha vida" Quantas vezes mais ás-de dizer isso? " És a minha melhor amiga " Eu e mais quantas ? " Não vivo sem ti " mas se me for embora ja nao te faço qualquer diferença.

CHEGA CHEGA CHEGA !

Não aguento palavras FALSAS, INSEGURAS, SEM SENTIDO !

QUERO SER FELIZ, mas não sou. Culpa minha também será, eu sei. Faço de tudo um drama, vou-me a baixo. Mas ás de-me ver a sorrir, a maior parte das vezes.

"Segue com a tua vida" Ouvi isto muitas vezes, de várias pessoas. Penso... Seguir com a minha vida ? Se É o que tenho feito até agora, então porque mo dizem ? Não será aguentar com tudo, compreender, sorrir, defender, todo o santo dia, não será isto seguir com a vida ? Não será lutar, sofrer, amar, chorar, contradizer e querer, não é seguir com isto a que chamamos vida ?

Outra coisa que me interrogo... será que somos egoistas o suficiente para nao nos preocupar-mos com o sofrer dos outros? Ou melhor... tomar-mos decisões em função do nosso sofrimento e não do outro?...

" Acontece, é assim a vida " Acontece ? Não me parece... Acontece porque fazemos acontecer, nada mais, nada menos. Passei a maior parte da minha vida a pensar nos outros, as decisoes que tomava, eu pensava : Será que ao fazer/dizer aquilo o/a vou magoar? Não Miriam, prefiro sofrer do que os outros sofrerem, é melhor... Agora interrogo-me outra vez... DE QUE ME VALEU ISSO? de que ME valeu ?
E ainda me dizem: "É a vida"


Eu digo : "É a MINHA vida"


Ah e tal bora lá escrever ..

Bem pessoal como já há muito que nao escrevo vou postar um texto que saiu no meu teste de portugues que eu amei, delirei com este texto é lindo e verdadeiro por isso poupo trabalho e lêm este xD
Aqui vai:

Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de
verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem
uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.

Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se

uma questão
prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade,
ficam
"praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor
doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de
compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão
embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um
gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de
telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem",
tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a
tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um
cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é
uma coisa, a vida é outra.

O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o
intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da
tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".

Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada,
abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e
da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é
para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes.
Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é
para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um
bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor
puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor
puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O
amor não se percebe. Não dá para
perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a
nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha,
não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é
necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o
que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor
é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o
coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das
mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é
ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.Não é para
perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e
não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas
mais acompanhado de quem vive feliz.

Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.


ELOGIO AO AMOR - Miguel Esteves Cardoso in Expresso