Esfera que roda
sem linha de inicio
prendida pelo final.

Sol que ilumina
O que meus olhos não vêm
pela boca infernal.

Janela fechada,
Partida, rachada.
Entra sem saída
o vento, do nada.

Porta Aberta,
com cela depois.
Chama coberta,
luz desligada
e novamente do nada
Se fecha de novo.

Miriam Andrade
Passei só para te dizer 'Olá'
Passei aqui só para te sorrir, e dizer 'Adeus'
Passei só por passar e não sei que mais ei-de fazer, dizer.
Passei aqui, acolá,
Passei e passo sem te ver.

Miriam Andrade
Deixei de sonhar porque os pesadelos é que me amam.

Passei a olhar para o passado porque o futuro me odeia.

Jogo agora sozinha, porque não arranjo o par perfeito, ou pelo menos, pseudo-perfeito.

Larguei o rir com vontade, porque ninguém me faz soltar o verdadeiro sorriso.

Sinto agora a confusão, porque a paz voou para ti.

Risco e não escrevo o que a alegria me libertava , mas o que a angustia me prende.

Sento-me e não salto para tão longe onde queria ir.

Não consigo esperar por isso não sei que fazer.

Ajuda-me
De nada, sei tudo
Estupida, morta
(Em parte vivida).


Desejo ardente,
não satisfeito.
Fogo aceso,
pede tudo,
quer tudo,
suplica tudo.

Dá-me,
Dá-me peço-te
Dá-me.


Desespero,
Alma, mera
alma
que desespera,
chora por
interrogação
de mais querer.
Prazer e coração
Alma e corpo,
agora.

Dá-me, peço-te.
Experimenta envolver-te em algo fora de ti, como por exemplo eu.

Experimenta sorrir com vontade de ser feliz comigo.

Experimenta pôr de parte todos os sentimentos para além do que queres sentir sobre mim.

Experimenta, uma vez de vez em quando, lembrares-te de mim.

Eperimenta tocares-me para te recordares da sensação que causo em ti.

Experimenta olhares-me com osmeus olhos.

Experimenta cheirares aquilo que sentes falta em mim.

Experimenta, só uma vez, o passado ainda com a minha presença.

Experimenta tudo sem qualquer compromisso real.

Experimenta

Mastigo o tempo que custa a engolir e devagar me vai engasgando.
Sufoca-me por rápido ter sido comido mas não me importo, continuo a comê-lo o mais apressadamente que consigo.
De que me adianta?
De que me chega?
Alimento-me do vazio?
Não sei porém, se é fome, sede, angústia ou morte. Não sei se respiro o mesmo ar que tu, sinto que não.
E mesmo por vezes o sentir se torna difrente e dificil.
Solução para tudo ser como deveria ter sido moldado e dignificado. Deveria ter sido um projecto digno de um artista pobre e humilde e saiu um pseudo-desenho, feio e riscado com cores bonitas que foi estragado pela tempestade.
Volta lápis e fá-lo brilhante.
Corre tempo, corre, chega até mim futuro!
Gritem comigo e demonstrem a força que transpiro de dentro de mim.
Rara inteligencia que me foge quando mais necessito de luz que ilumine a minha vida.
Vens? Claro que não, nunca vieste!
Ah, sede insaciavel que te misturas como só tu sabes! Larga este corpo que tenta vencer a alma. Lutas interminaveis que pedem por um simples toque de prazer contra um gesto de paixão.
Vida breve longa te tornas. Dá-me o que meu ser necessita.
Dá-me.
Percebi que finalmente percebi.

Percebi que a minha vida é vazia, fazes-me falta.
Percebi onde pertenço e não é aqui.
Agora sei onde sou feliz,
Agora sei onde consigo ser verdadeira,
Sei agora onde consigo sorrir.

Percebi que finalmente percebi.
Mas não posso fazer mais nada.
Percebi, mas não passa disso.



                   
 Percebi, e agora?




Dá asas à morte,
Deixa a vida.
Dá liberdade ao escuro
e esconde o claro
por detrás daquele muro.

Abre o presente do Passado
E atira-o para o ar
transtornado.

Vive por momentos
E deixa-me viver,
antes de morto permanecer.

Não penses no impossivel.
Que fique a morte,
A morte profunda,
Deixa-la contigo.
Tudo irá recompensar,
Eu prometo.

Miriam Andrade
Por vezes a vida oferece-nos algo que sempre recusamos em aceitar. O sofrimento é a prenda do dia-a-dia, e nada mais me resta senão aceitar carinhosamente com um sorriso.
Não é impossivel sorrir quando tudo corre mal, não é impossivel enfrentar tudo quando nada parece ter solução.
Tento demonstrar a quem me conhece, que a vida nao se pode deixar passar pelas nossas mãos. Se por vezes nos cai um braço, temos o outro que nos resta e é com esse que deveremos lutar. E quando tudo o resto cai, somente nos resta o cérebro para pensar e é com esse que deveremos lutar.
Nunca estamos totalmente felizes com o que temos, seja a nossa familia, os nossos amigos, o amor, o nosso feitio, o nosso corpo. Nunca nada há-de estar como sempre sonhamos. Mas sabem que mais? Acredito que tudo isto é um plano de crescimento. Além de tudo o resto, temos de aprender a aceitarmo-nos como somos, o nosso corpo, a nossa mente e deixar que os outros nos amem por aquilo que somos e não por aquilo que gostávamos de ser. E custa, muito, demasiado. Mas nada é construido da noite para o dia, e a nossa personalidade também será solidificada com o tempo.
Se estou doente, demasiado para a idade que tenho, terei de sorrir e ganhar forças, enfrentar. Se não tenho o corpo perfeito, terei de sorrir, ganhar forças e aceitá-lo. Se não tenho a familia e amigos que desejaria ter, terei de sorrir, ganhar forças e saber que certamente, são o melhor para mim.
Esta vida é só uma passagem, uma breve passagem.
Por isso serei sempre eu, a normal e banal Miriam que irão encontrar com um sorriso nos lábios para vos oferecer, porque mais do que a merda de vida que às vezes me passa pelas mãos, vocês são o mais importante.

Nunca desistam da vida, nunca desistam de vocês. Eu nao desistirei de vós.
Sai daqui, sai!
Abandona-me,
Expulsa-te e não voltes!

Retira-te de mim, já!
Fartei de te carregar,
salta daqui e não voltes!

Que peso, que sacrificio
Dói a dor que dorida ficou
E mais uma vez te digo
Sai, já
E não voltes.

Mas se voltares
Muda,
E se voltares,
Fica para sempre.
Mas agora sai,
(Num imaginário eternamente)
E não voltes.

Miriam Andrade
Salvar-me daquilo que vivo agora, é impossivel. O tempo passa e nada muda, o tempo ri-se de mim, goza-me.
Voltar para aquilo que vivi, é impossivel. O tempo nao recua nada, o tempo ri-se de mim, goza-me.
Preencho-me do nada, DO NADA.
Rio-me porque o meu organismo manda.
Não choro porque não quero e quando o faço tudo em mim explode.
Vejo no presente o passado e no passado um futuro nao-existente.
Cansei do rodeio da gente
Do conhecimento prepétuo corrente
Das pessoas que me olham,
Das pessoas que me tocam.

Cansei do olhar apagado
Do Dia-a-dia rotinado
E saltar por pura magia.

Cansei do caminho traçado
Sem fugidas, sem canção
Sem dinheiro gasto,
Sem esforço marcado
Sem sim, sem senão.

Cansei das fugas inexistentes
Das mentiras verdadeiras
Das imaginativas bebedeiras
Sem alcool real.

E canso de mim,
Do nada,
De tudo,
E nunca, nunca de ti.

Miriam Andrade
Explodo,
Com ruido silencioso.
Dei tanto e sem nada fico.
Tanto tive e com nada fiquei.

Só, sozinha, sem ninguém.
Nem um amigo, uma amiga,
um alguém.

Por vezes sentimos algo mais do que aquilo que esperamos.
Sobre o paranormal, extrai-se sentimentos cravados eternamente. Porquê? Porque nao se possui forças mentais que puxem directamente o sector emocional.
Saudade, falta de vida, vazio.
Gritos silenciosos inundam todo o ser gásto de lágrimas já sem sal, insuficientes e sem significado para tao profunda ferida.
Olha-se e nada se vê, toca-se e nada se sente. É algo que existe, sendo enixistente.
É algo tao perfeito que morre de imperfeição.
Como pode alguém viver sem ar? Vive do artificial, mas nunca obterá o prazer de respirar o ar puro.
Corre-se, corre-se e a meta tende em fugir. Quanto mais se espera, mais angustiante é o sabor da amarga derrota. Ah, o doce sabor de se perder a si mesmo! Será?
Perde-se parte da força, da mente, do total barril cheio que se esvazia entao.
Quando? Onde? Eu sei as respostas porém inalcançaveis.
Querer tanto algo, alguem, mais do que a si mesmo, mais do que a propria vida. Exagero?
Não, realidade.
Chama, grita, desespera por mim. Aperta tao fortemente como ancora presa no cais.
É gelada tal sensação, calorosa que leva à nudez e mesmo essa, só, não chega.
Falta, falta, falta-me!
E a caneta continua a escrever por ordens de quem nela pega, e continua a alimentar-se e a ser util enquanto a tinta continuar a surgir...
Sussura-se o desejo que mata dolorosamente.
Cai em busca do refugio certo. Refugia-se em si mesmo e procura fora de si.
Renova.
Volta.
Comigo.

Miriam Andrade
Quero sair
Correr, cantar, gritar
Sem ninguém me ouvir.

Quero fugir
Despir-me de tudo
E de tudo me cobrir

Quero voar
Quero pertencer ao meu destino
Acreditar no que é verdade
Provar o que todos pensam que é mentira

Quero sentir de novo,
Sentir, sentir e sentir.

Quero viver inserida na normalidade
Quero seguir sem ser notada
E ser notada como se não fosse, talvez,
Uma nova inserida.

Ah como eu quero ser eu
Ah como eu quero ser tua
Mais magia na minha cabeça
Mais cabeça no meu coração
E tudo, continua
E só, só, somente,
flutua.

Miriam Andrade
Seguro nas mãos algo sem vida,
Frio, gela meu corpo por inteiro,
(Não o quero largar, já fez parte de mim)
Sinto de leve a brisa de seu cheiro
Aroma a dor, sofrimento, mágoa
Um pequeno trave a amor
Com medo por inteiro

E continuo a segurá-lo
Metade de mim ainda luta por ele
Encosto-o junto ao meu peito,
Acariciando-o, penso em quem mo tirou,
Em quem o feriu.

E uma lágrima minha o molha,
O faz arrepiar,
E me faz notar,
Que preenchia algo vazio, no meu lado esquerdo,
um buraco à espera
de preenchimento.

Percebi,
Aquele algo frio, sem vida,
era o que me faltava no peito,
à muito retirado e perdido,
aquilo que apanhara do chão,
meu probre,
pobre coração

Miriam Andrade
Já guardei o que tinha escondido
Já escondi o que tinha guardado
Já raspei até ferir
Cada gota do sólido olhado
Esbofeteei até sorrir
Para que nada seja notado

Já atirei o que tinha abraçado
Já abraçei o que tinha atirado
E gritei, falando calmamente
E gemi, com a dor serena
Sem nada se notar, ri
E mais uma vez,
Camuflada por mim,
Fingi.

Já explodi o que continha
Já contive o que tinha explodido
E habituei-me ao real,
Vivo o sobre-natural,
Caminhando sobre pedras imaginárias
Respirando esperanças temporárias
Acordando de um grande sono
Injectado por pesadelos
E deixado por ti.

Miriam Andrade

Adeus


Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus

Eugénio de Andrade
Em "ponto morto", assim me encontro
Em algum ponto distante, mudo
Preso sem fechadura,
Mas fechado como o paraíso
E guardado sem ninguém saber.

Em "ponto morto", escuro e torto
Em algum lugar sem nada,
Sem vestigios da madrugada
Ou da noite sem fim

Em "ponto morto",
Em sentimentos vazios,
Cheios de desconforto e incerteza
Cobertos por algum medo
Sabendo por dentro, presa.

Miriam Andrade

Foi [é]

Estranha saudade forte e significativa,
Algo mais profundo que um vazio, cheio de nada.

Estranho sentimento de tristeza, incompleta vida,
Algo mais distante que a dita distância dos corpos
Algo mais distante que a dita distância das almas.

Verdadeira lembrança árdua de crer
Mais do que mera esperança de acontecer
Acontecimento feito, brilhante, especial
O meu 'nunca' de antes, agora um 'sempre', afinal.

Aumenta o melhor, aumenta o pior
Faria de novo por existencia da maquina do tempo
Dava tudo por um so momento outra vez
Relembrar, ter vida.
Novamente.

A lembrança, a espera...

Fora saboroso
Fora doloroso
Fora alma, vida, amor
Fora corpo e morte,
Fora dor.

Olhei, toquei, beijei,
Em instantes fui feliz.
Gritei, chorei, sofri,
Por momentos, não vivi.

Páro, imobilizo-me,
Deixo cada segundo percorrer
cada veia do meu ser.

Absorve minha força,
Expele minha esperança,
que por amor alcança
um longo ponto final.
e depois por amor?
uma virgula, afinal?

Miriam Andrade

Um dia...

- É só um "coffee break" - dizem-me.


Sim, acredito que é só uma pausa,
um crescimento.

Acredito que não seja a minha altura, essa, mais cedo ou mais tarde,
chegará.

E aqui estarei, à espera.

Gosto de acreditar, que um dia...talvez...
Um dia ...
Eu sei que sim.

Sentimentos

Chego por vezes há conclusao que sou ... que sou ... ?
Nada. Isso mesmo, que sou nada.
Que me esforço e dedico-me e luto para depois receber... Nada.
Que resisto, cálo-me, aguento, para depois me dizerem.. Nada.
Que amo para depois nao sentirem.. Nada.

Nada.

Que fim ?

Pensei hoje para mim " se calhar vais-te sentir melhor se escreveres ". Mas escrever o que?

Sei que a escrita sempre foi meu amparo, mas o que me acontece quando nem mesmo ela o consegue ser?
O que me acontece se nem a música consegue me amparar?
O que me acontece se nem a minha amiga me consegue amparar?

Depois de cair, continuo caída.
Levanto-me e volto a cair, levanto-me novamente mas caio, e lentamente os meus ossos vao ficando cada vez mais quebrados.
Levanto-me e com a pouca força caio cada vez mais bruscamente, cada vez me aleijo mais.

Não há amparo, não há quem me segure para nao cair. E como todo o ser humano, vou desfalecendo e após várias quedas chega o fim.

Mas que fim?

Aquele fim que afirma-mos que o é e volta a recmeçar tudo do inicio para acabar tempos depois? Aquele fim que volta e acaba, retorna e finda.

MAS QUE FIM?

É como se morressemos , nos ressucitassem e passados largos segundos voltamos À mesma escuridão.
Lutamos por um pouco mais de vida que volta a acabar, e lutamos um pouco mais, so por um pequeno pedaço de vida e voltamos a morrer, somos estupidos, deixamo-nos ser fáceis, ficamos na mao de quem nos ressucita e tornamonos bonecos. pensamos "quero so mais um pouco de vida", mas logo a seguir morres.

Entao e quando por fim tu te fartas de morrer e voltar a viver, fartas-te deste ciclo vicioso?
Eis a escolha :
a vida ou a morte.

será que prefiro estar sem vida para que nao ande neste vai e vém entre a vida e morte?

Agora morri...

voltarei a viver?

Mas eu quero a vida para sempre, nao por simples momentos.

Ressuscita-me mas nao me mates outra vez

O outro lado do espelho..

porque é que as lágrimas correm em vez de a minha boca sorrir?
porque é que sofro em vez de não sofrer?
porque é que meu coração sente o que não deveria sentir?
porque morro em vez de viver?

porque é que a mina vida está do avesso?
porque sou despresivel?
porque não sou pessoa?
se ser feliz é tudo o que peço.

porque fico sem ninguém
quando preciso de toda a gente?
E quando toda a gente vem
não preciso de ninguem.

Miriam Andrade

A minha realidade

Se as saudades do toque
Do cheiro do beijo
Me levassem p'ra longe
Além de tudo, do desejo
Estaria em ti,
Sobre ti,
Contigo.

Se o abraço da angústia
E as lágrimas do sofrimento
Fossem em verdade, mentira
O que seriam dos momentos
Que um dia sentira?

E é no toque, no olhar
Que o amo-te
Se pode demonstrar
E é no beijo, no sorriso
que o que é preciso
Se torna amar
E o amar na saudade
Que mata por nao ter
Que mata por querer
Que mata por nao viver.

Miriam Andrade

Máta-me, devagar...

Máta-me , devagar
Lento, lentamente
Sacrifica-me, envolve
algo mais afiado
doloroso, fere-me.

Retira-me sem dó
Veloz e astuto assassino
Sem esperar, vem só
E deixa-me em mim marca
profunda, vistosa
Mas escondida.

Máta-me, rápido
Muito apressadamente.
Ata meus pés
Minhas mãos prende
E deixa-me assim
Somente à espera, sofrendo.

Até morrer,
Me bate, me esfola
Me deixa cair
Mas sabendo sorrir,
morro e desapareço.

O coração esmaga
Doendo vai apertando
Para o luto iniciar
E a morte do meu ser
(Fisicamente permanece)
Por fim falecer

Miriam Andrade

Sou feliz?

Quantas vezes me pergunto, " sou feliz ? " .
Entao penso, repenso e volto a pensar. Serei realmente feliz ?
Penso na minha vida e sei que tenho muito mais do que muita gente, que muitas pessoas queriam estar no meu lugar, mas, em qualquer história há sempre um "mas".
A verdade é que não sei se sou feliz. Não sei mesmo. Talvez não seja. Não me sinto completa ou realizada. Não me sinto totalmente bem, há sempre, sempre alguma coisa que me angustia.
Mas também, acho que é assim para todos, mas e quem afirma convictamente que é feliz, será verdade?
Falta-me tanto para ser feliz, falta-me independência, liberdade, faltam-me laços, falta-me experiência, falta-me tempo, falta-me aquela pessoa, falta-me tanto.
Por vezes penso que a felicidade é algo inalcançavel, porque tudo o que quero para ser feliz agora, quando o obter vou querer mais e mais e mais e... mais.
Afinal de contas, o que significa ser feliz ?

Sonhar

Por vezes ponho-me a pensar, se o sonho poderá ser bom ou mau ..
Eu sou tão, mas tão sonhadora que por vezes chego ao exagero. As vezes deito-me na cama a olhar pro tecto e penso como será a minha vida daqui a 5, ou 10 anos. "Perfeita" - penso eu.
Lembro-me de ser pequena e pensar , cmo será daqui a 5 anos? Ora qui estou eu, com mais 5 anos em cima. Vida perfeita? Não, nem lá perto.
O que é verdade, é que passamos a vida em funçao de alcançar o sonho ... O sonho da felicidade, ou da realização a todos os niveis. "Perfeição", talvez.
Mas quão será um sonho perfeito? De ser só sonho em si, perde naturalmente o significado de perfeito, pois não é real.
Oiço tantas vezes, "não quero morrer sem realizar todos os meus sonhos". E isso, não será também sonhar?
Não temos asas, mas voamos mais alto que qualquer espécie de pássaro existente. Ultrapassa-mos barreiras para além do invisivel e impossivel. Somos seres extraordinnários, ou seremos puramente só sonhadores?
Alimentamo-nos do sonho, da esperança que tudo um dia, irá ser perfeito.

Preciso...

Preciso de outrém,
De mar, de vento
Preciso de ninguém,
Preciso de alento.

Viver, amar,
Morrer e ser amada,
Preciso de tudo,
Preciso de nada.

Ser feliz para sorrir,
Viver por ter motivo,
Ser eu sem fingir
Achar um abrigo e partir

Miriam Andrade

Egoísmo MEU !

Não vou escrever nenhum texto bonitinho, cheio de figuras de estilo, cheio de metáforas.
Não, não vou.
Não vou falar sobre ti, ou sobre os outros.

Vou ser egoísta e falar de mim.

Não sei o que se passa comigo, aliás, se calhar até sei.
Cheguei ao limite. Ao meu limite. Á exaustão.
Estou cansada, farta, doente, magoada.
Mas não, não quero passar por nenhuma coitadinha cheia de problemas, não, não e não!
A minha cabeça está prestes a explodir, é certo, que não aguenta o que aguentava antes, porque estou doente desde Dezembro, mas, ela está mesmo muito frágil.
Encaro com tudo, todos.
Penso em tudo, em todos.
Quero pensar em mim e agir para mim, mas não consigo, tudo o resto é mais importante para mim.

A escola, estou farta, cansada dos locais, das pessoas, cansam-me! Os testes , os trabalhos, a minha turma que nao me ajuda nada, raros sao aqueles que estão lá pelo mesmo motivo que eu, raros têm UM OBJECTIVO. Faço tudo sozinha, tudo, e lenta lentamente, vou enchendo aos poucos e poucos...

Os meus amigos, que tantos, TANTOS se revelaram falsos, que não eram a definição de amigo, não eram, não são. Fico reduzida a pouco, é frustrante, angustiante.

A minha "suposta" doença, que ninguém sabe que raio é, que piorei e posso vir a piorar mais. Que me faz perder a cabeça, nao funcionar como dantes, que me faz stressar com tudo TUDO.

A familia que para mim não está completa , que me falta O MEU PILAR, e não está cá ( sempre ).

O amor, que só agora aprendi. "À terceira é de vez" , Dizem bem, aprendi de vez. CHEGA, isto inunda-me a cabeça e nao quer sair do coração. Foda-se, só me apetece pegar nesta particula que insiste não sair e atirá-la fora, isto que me faz sentir sozinha e única no mundo mesmo estando rodeada de gente. Faz-me querer coisas que agora são impossiveis, que me escava o coração com força, com raiva, que o magoa sem dó! Que não me retribui aquilo que sempre senti e que é tão forte.

Não me sinto bem onde estou, não sinto... Sinto-me deslocada.

De quem eu preciso do máximo de apoio, não tenho, parece que quase me despreza, quando é um factor tão mas tão crucial para eu estar bem...


A tal Miriam que todos vocês (talvez) conhecem, por dentro está vazia, morta.

Desabafar...

É incrivel como as pessoas por vezes podem ser assim. Dizem tudo , TUDO , sem por vezes terem a noção daquilo que disseram, daquilo que dizem. A mim faz-me muita impressão, pior ainda, quando chega a magoar. É certo que nao dão conta, é certo que (talvez) não façam por mal. Mas fazem na mesma.

"Eternamente" "Sempre" "Nunca" ... Digo-vos, nao vale a pena referirem porque no dia a seguir estás a dizer e a pensar o contrário. Lembra-te de que ao fazeres isso podes magoar alguém e isso sim é o pior de tudo. CHEGA de palavras hipócritas que dizes hoje a amanha já nao sentes!

"Amo-te" E daqui a uns meses? Amas outra pessoa. " Nunca nos vamos separar amiga, nunca " E no mês a seguir cagas nesta amiga e dizes isso a outra, "És a pessoa da minha vida" Quantas vezes mais ás-de dizer isso? " És a minha melhor amiga " Eu e mais quantas ? " Não vivo sem ti " mas se me for embora ja nao te faço qualquer diferença.

CHEGA CHEGA CHEGA !

Não aguento palavras FALSAS, INSEGURAS, SEM SENTIDO !

QUERO SER FELIZ, mas não sou. Culpa minha também será, eu sei. Faço de tudo um drama, vou-me a baixo. Mas ás de-me ver a sorrir, a maior parte das vezes.

"Segue com a tua vida" Ouvi isto muitas vezes, de várias pessoas. Penso... Seguir com a minha vida ? Se É o que tenho feito até agora, então porque mo dizem ? Não será aguentar com tudo, compreender, sorrir, defender, todo o santo dia, não será isto seguir com a vida ? Não será lutar, sofrer, amar, chorar, contradizer e querer, não é seguir com isto a que chamamos vida ?

Outra coisa que me interrogo... será que somos egoistas o suficiente para nao nos preocupar-mos com o sofrer dos outros? Ou melhor... tomar-mos decisões em função do nosso sofrimento e não do outro?...

" Acontece, é assim a vida " Acontece ? Não me parece... Acontece porque fazemos acontecer, nada mais, nada menos. Passei a maior parte da minha vida a pensar nos outros, as decisoes que tomava, eu pensava : Será que ao fazer/dizer aquilo o/a vou magoar? Não Miriam, prefiro sofrer do que os outros sofrerem, é melhor... Agora interrogo-me outra vez... DE QUE ME VALEU ISSO? de que ME valeu ?
E ainda me dizem: "É a vida"


Eu digo : "É a MINHA vida"


Ah e tal bora lá escrever ..

Bem pessoal como já há muito que nao escrevo vou postar um texto que saiu no meu teste de portugues que eu amei, delirei com este texto é lindo e verdadeiro por isso poupo trabalho e lêm este xD
Aqui vai:

Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de
verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem
uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.

Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se

uma questão
prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade,
ficam
"praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor
doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de
compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão
embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um
gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de
telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem",
tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a
tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um
cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é
uma coisa, a vida é outra.

O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o
intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da
tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".

Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada,
abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e
da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é
para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes.
Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é
para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um
bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor
puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor
puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O
amor não se percebe. Não dá para
perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a
nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha,
não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é
necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o
que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor
é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o
coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das
mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é
ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.Não é para
perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e
não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas
mais acompanhado de quem vive feliz.

Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.


ELOGIO AO AMOR - Miguel Esteves Cardoso in Expresso